Controlando o Risco das Travas de Opções Straddle

Professor Metafix

A trava de opções tipo straddle é muito simples; ela combina a compra de calls e puts simultaneamente. Seu objetivo é lucrar tanto em uma forte alta ou forte baixa do ativo. Mas nem tudo que reluz é ouro. Devemos lembrar de que em qualquer negócio, é preferível perder a oportunidade do que perder dinheiro. Assim, perguntamos: Como proceder quando a incerteza é grande e precisamos conservar o capital? Esse é um problema que parece difícil mas a solução é simples. Todavia passa pelo controle pessoal e pela administração dos riscos.

Quem negocia no mercado financeiro precisa harmonizar as variáveis que podem ser controladas com aquelas que não podem, como recomendam os filósofos estóicos. Por exemplo, não podemos determinar a direção dos preços, mas podemos obedecer a tendência. Sabemos também que para lucrar precisamos de riscos. Eles representam as variações inesperadas dos preços, e não podemos ganhar se estas não existem.

Portanto, temos dois problemas para resolver, primeiro ter uma atitude harmoniosa, controlando aquilo que podemos, e aceitando, incondicionalmente, o que não podemos mudar. O maior problema do risco é nossa teimosia em satisfazer nossos desejos quando a natureza avisa que isso não é possível. Este é o caso das travas de opções

Durante algum tempo  na graduação da universidade, trabalhei como salva vida numa praia de um rio. Eu era certificado pela Cruz Vermelha e tinha sido aprovado em testes com diferentes graus de perigo. Aprendi que podia facilmente atravessar um rio com ajuda da correnteza. O perigo era não saber nadar e não respeitar a força das águas. Era mais fácil cruzar o rio aproveitando a força da correnteza e jamais navegar contra ela. Depois, lendo alguns filósofos estóicos aprendi que os piores inimigos são nossa teimosia, a falta de paciência e a ignorância da tarefa que pretendemos realizar.

Quando operamos com opções, devemos encarar com cuidado dois riscos ou variações importantes: A força da correlação entre o valor da opção e o preço da ação. Essa força é medida com um parâmetro chamado Delta. Segundo, observar a velocidade da queda do prêmio da opção com um coeficiente chamado de Theta.  Isto é, à medida que a opção se aproxima da data de vencimento, Theta aumenta e Delta diminui. Essa dinâmica pode ser melhor compreendido lendo sobre as gregas do modelo de precificação de opções Black-Scholes

Quem prefere trabalhar com números pode verificar o valor desses dois parâmetros para ter uma ideia sobre a vantagem de se fazer uma trava desse tipo. Aqueles que preferem observar a direção dos valores visualmente, podem usar gráficos ou ferramenta de análise e estresses de opções. Com estes podemos captar a direção do preço de cada tipo de opção em separado, Call e Put, e a do gráfico da soma das duas opções como no exemplo abaixo. 

Exemplo de uma Straddle com opções da VALE3

Os gráficos abaixo vão mostrar qual alternativa é preferível. Primeiro, se o gráfico da soma não estiver em tendência de alta, não vale a pena fazer a trava. Caso isso se confirme, o operador pode observar qual das duas pernas call ou put está em tendência de alta. Caso chegue à conclusão que nem a soma nem as pernas independentes estão em tendência alta, é melhor conservar o capital e não assumir os riscos  de comprar qualquer uma das 3 alternativas.

Deixamos como exemplo três gráficos da Petrobras negociada aqui nos Estados Unidos. Veja que a melhor alternativa seria comprar uma put. Esta é uma operação simples, segura, lucrativa e está ao alcance de todos porque exige pouco capital. Boa sorte!

Prof. Metafix, Wisconsin, 20 de junho de 2022.

Soma da Call mais a Put. Nao vale a pena fazer a trava

Gráfico da Call, Não vale a pena comprar

Gráfico da Put. Vale a pena comprar.

Note que os gráficos foram extraídos da plataforma Thinkorswim da corretora Ameritrade.

Professor Metafix
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